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quarta-feira, 24 de novembro de 2021


ASTEROIDE E EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA

    

     CIÊNCIA E ESPAÇO

     DART: conheça a missão que vai desviar um asteroide para defender nosso planeta.

Por Rafael Arbulu, editado por André Lucena  22/11/2021 13h15, atualizada em 22/11/2021 13h56

     Nesta semana a agência espacial norte-americana (Nasa) vai lançar uma de suas mais importantes, e ambiciosas, missões até o momento. Batizada de Dart (Double Asteroid Redirect Test, Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo), ela vai enviar uma pequena espaçonave para colidir contra Dimorphos, “lua” do asteroide Didymos, numa tentativa de alterar sua rota.

     O teste vai avaliar a viabilidade de uma solução para uma pergunta que muitos – astrônomos ou não – já fizeram em algum momento: se um asteroide vier em nossa direção, podemos explodi-lo? Se não, podemos desviá-lo?

     Se na sua cabeça estão passando flashbacks do filme Armageddon, com Bruce Willis, em primeiro lugar, nos desculpe por colocar “aquela” canção do grupo Aerosmith em sua mente. Em segundo lugar, vamos com calma: a premissa do filme é a de explodir um asteroide que ameaça a vida na Terra. Na vida real as agências espaciais do mundo até consideraram esta possibilidade, mas atualmente todas concordam que desviá-lo para uma órbita mais segura seria o melhor curso de ação.

     Imagem do Vesta, para ilustrar matéria sobre como a Nasa pretende lançar uma nave para se chocar contra um asteroide.

     Dando um significado científico à expressão “um soco no queixo resolve”, a Nasa quer mandar uma espaçonave para bater com toda a força em um asteroide no espaço (Imagem: Nasa/Divulgação)

Isso porque, se explodirmos um asteroide, não temos certeza do que pode acontecer. Em vez de uma grande rocha, podemos acabar com centenas de rochas menores, mas ainda assim grandes o suficiente para destruir cidades. E em vez de um único impacto, digamos, no meio do Oceano Pacífico, que ameaçaria no máximo regiões costeiras, podemos acabar enfrentando a possibilidade de múltiplos impactos em várias cidades de um hemisfério, por exemplo.

     Conhecendo o alvo

     O alvo da DART é um sistema binário composto por dois asteroides: o maior, Didymos, tem cerca de 780 metros de extensão, enquanto sua “Lua”, Dimorphos, tem 160 metros. A missão DART vai mirar nessa rocha menor, esperando que o impacto direto contra ela seja suficiente para os satélites de observação da Terra analisarem possíveis mudanças em sua trajetória.

     “Isso vai mostrar para nós qual é a viabilidade de uma técnica chamada ‘impactador cinético’ para desviar a órbita de um asteroide e determinar se isso pode ser uma opção utilizável, pelo menos em asteroides menores, que estão entre os mais prováveis em risco de impacto [com a Terra]”, disse Lindley Johnson, Oficial de Defesa Planetária da Nasa, no começo deste ano ao Space.com.

     O que Johnson diz é verdade: quando pensamos em “impacto de asteroide”, a cultura pop nos condicionou a pensar no evento cataclísmico de uma rocha espacial com vários quilômetros de extensão, da qual um único choque varreria a humanidade da existência.

     Cientistas encontram no espaço objeto que é um asteroide, mas também é um cometa; entenda.

     Pesquisador brasileiro explica como ocultações estelares levam a descobertas astronômicas.

     Conheça Kleopatra, asteroide em formato de osso que tem duas luas.

     Não que isso seja impossível: o bólido que criou a Cratera de Chicxulub e causou a extinção dos dinossauros ao cair no que hoje é a Península de Yucatán, no México, não passava de 10 quilômetros, e veja o que ele fez. Mas hoje, objetos bem menores que isso já estão no nosso radar e estratégias de antecipação podem ser executadas rapidamente.

     Os asteroides menores, porém, podem ser um problema: nem toda a nossa tecnologia consegue identificá-los de longe, e ver um problema só quando ele chega perto… bem, não nos dá uma janela favorável de tempo para reação.

     Não há nenhum risco de choque de Didymos e de seu companheiro contra a Terra mas, se houvesse, ele não destruiria a humanidade. Ainda assim, seria capaz de um grande estrago: estimativas afirmam que um asteroide de 150 metros de extensão, mais ou menos o tamanho de Dimorphos, poderia destruir um estado dos EUA em caso de impacto direto não mitigado.

     Em outras palavras: se errarmos, nada muda com o asteroide, que não nos atingirá. Se acertarmos, então ele ficará ainda mais distante de nós, com a contrapartida de que teremos um meio de defesa comprovado contra impactos futuros.

     Testando tecnologias

     A DART também serve de plataforma de testes para novas tecnologias, duas das quais podem ter impacto significativo em missões de exploração futuras. São elas um propulsor iônico à base de Xenônio e um novo tipo de painel solar mais flexível (ROSA, Roll-Out Solar Array).

     Um propulsor iônico ioniza um gás neutro extraindo alguns elétrons de seus átomos, criando uma “nuvem” de íons positivos, que são acelerados por um campo elétrico e ejetados no espaço. Pela lei da ação e reação, isso gera um impulso de mesma intensidade e em sentido contrário na espaçonave.

     Este impulso é inicialmente imperceptível, mas como não há atrito no espaço a aceleração se acumula à medida que milhões de íons são ejetados, o que torna possível acelerar uma espaçonave a velocidades significativas usando uma fração do combustível que seria necessário em um propulsor químico tradicional. É o ditado “de grão em grão, a galinha enche o papo” aplicado ao espaço.

     Já os painéis solares são similares aos iROSA recentemente instalados na Estação Espacial Internacional ao longo de várias caminhadas espaciais.  Mas intercaladas com as células tradicionais estão novas células solares, desenvolvidas pelo Laboratório de Física Aplicada (APL, Applied Physics Laboratory) da Universidade John Hopkins, que produzem três vezes mais energia do que os painéis tradicionais.

     DART viajará por um ano antes do impacto

     A missão DART será lançada às 3h21 desta quarta-feira (24), horário de Brasília, partindo da Base Vandenberg da Força Espacial norte-americana, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX. Após chegar ao espaço, começa a longa viagem até o alvo: a estimativa é que o impacto ocorra entre 26 de setembro e 1º de outubro de 2022, quando os asteroides estarão a uma distância de 11 milhões de km da Terra.

     Se tudo correr de acordo com o planejado, a DART deve colidir contra Dimorphos a uma velocidade de 24 mil km/h. A espaçonave será destruída no impacto, mas devido ao seu pequeno tamanho (um “cubo” de aproximadamente 130 cm de lado, sem contar antenas e painéis solares) e peso (550 kg no momento do impacto) para o asteroide a colisão será mais como um “peteleco” do que como um chute de Roberto Carlos.  Ainda assim, mesmo o menor empurrão é suficiente para, ao longo do tempo, influenciar significativamente a trajetória do asteroide.

     A DART não viajará sozinha: uma segunda nave, operada pela agência espacial italiana (ISA), chamada “Light Italian CubeSAT for Imaging Asteroids”, ou “LICIACube”, para os íntimos, estará nas imediações, no intuito de registrar imagens do resultado do impacto.

     Não estamos em perigo, por enquanto

     Agências espaciais monitoram ativamente os chamados PHAs (Potentially Hazardous Asteroid, ou Asteroides Potencialmente Perigosos). Pela definição da União Astronômica Internacional (IAU, International Astronomical Union), recebem essa classificação todos os objetos a uma distância de até 1,3 unidades astronômicas (uma unidade astronômica, ou UA equivale a mais ou menos 150 milhões de quilômetros) cuja órbita cruze a da Terra a uma distância de menos de 7,5 milhões de Km (0,05 UA) e que tenham potencial para causar danos regionais significativos em caso de impacto, o que ocorre com asteroides com mais de 140 metros.

     Mas podemos ficar tranquilos. Ao menos entre os asteroides conhecidos, nenhum apresenta risco de colisão com nosso planeta nos próximos 100 anos.

     Comentário:

     Os cientistas estão preocupados com asteroides que possam destruir o planeta Terra. Não sabem eles que, os asteroides já estão aqui na Terra destruindo o planeta. Estão jogando dinheiro no lixo. Esse dinheiro deveria estar sendo aplicado aqui na Terra e não no espaço. O planeta está com bilhões de asteroides destruindo a Terra. O maior asteroide do universo são os seres humanos que está acabando com tudo e com todos. Não temam as pedras cósmicas que estão à deriva, e sim, os seres humanos que nos rodeiam.

 

Ernani Serra

 

Pensamento: Quem não vê os perigos são os cegos.

 

Ernani Serra

domingo, 21 de novembro de 2021

 


FUNCIONALISMO PÚBLICO

 

Barnabé, o funcionário.

José Geraldo Vinci de Moraes é professor do Departamento de História da FFLCH-USP e pesquisador musical.

 

Post category:Artigos

https://jornal.usp.br/?p=81550

28/04/2017 - Publicado há 5 anos  Atualizado: 02/05/2017 as 16:53

 

     José Geraldo Vinci de Moraes – Foto: Reprodução/TV USP via Youtube

Certas questões e temas rondam a sociedade brasileira de maneira recorrente, sobretudo aqueles relativos à sua modernização. Provavelmente porque resistem em se instalar de maneira definitiva, estão sempre na ordem do dia. Os debates atuais em torno da reforma trabalhista e da previdência despertaram alguns deles, como o da dualidade de regime de trabalho existente no País.

     Criada durante o governo de Getúlio Vargas, ela estabeleceu diferenças entre o sistema regrado pela CLT e o do estatuto do funcionário público (1939). A força da diferenciação criou duas maneiras de encarar e exercer o mundo do trabalho, de tal maneira que, já na década de 1940, o “servidor” ganhou uma distinção oblíqua por meio de um apelido, aliás outra prática rotineira de nossa sociedade fundada nas relações afetivas e de pessoalidade.

 

     Chamado de Barnabé, rapidamente o título tornou-se sinônimo de funcionário público, principalmente daquele servidor mais humilde, de vida apertada, “que ganha só o necessário pro cigarro e pro café”. Curiosa foi a maneira para a criação e consagração do apelido: uma marchinha carnavalesca composta em 1948 por Haroldo Barbosa (1915-1979) e Antonio de Almeida (1911-1985).

 

     Na verdade, a canção foi criada um ano antes para um número musical para ser cantada por Grande Otelo em uma revista no Cassino da Urca. Tradicionalmente o Teatro de Revista, como sugere o nome, tratava das questões do dia a dia que ganhavam algum destaque. A motivação circunstancial neste caso foi a campanha dos servidores para a melhoria de seus salários, aparentemente já em declínio. O grande nó para os criativos compositores era como fazer verso com rima fácil combinando com a letra  É, classificada como o último estágio da escala da carreira funcional daspeana (da sigla DASP – Departamento Administrativo do Serviço Público)! Daí veio o inesperado nome Barnabé, que se transformou no alegre refrão:

 

Ai Ai Barnabé

 

Ai Ai funcionário letra É

 

Ai Ai Barnabé

 

     Com o sucesso na casa de espetáculos carioca, os compositores resolveram adaptar os versos para uma gravação feita por Emilinha Borba destinada ao carnaval de 1948. A repercussão foi imediata e ganhou a simpatia das ruas do Rio de Janeiro, capital do país tradicionalmente repleta de funcionários, que viviam tanto as regalias como as agruras do funcionalismo. Aliás, ganhar o sufixo ismo significava alcançar a lógica de um sistema fechado, com princípios, conceitos e, finalmente, um modo de vida próprio. A vida peculiar do Barnabé se estabeleceu e se tornou marca identitária e simbólica, permanecendo em nosso imaginário até hoje.

 

     No caso específico da marchinha, a letra tratava com bom humor as dificuldades e embaraços do pequeno funcionário público em contraste também com o operário. O Barnabé é aquele que mal começa o mês e já está endividado, tendo que recorrer à sorte no jogo do bicho ou aos empréstimos, descontados do salário. Para penetrar de fato no sentido da canção, a letra – logo a seguir – deve ser acompanhada pela escuta integral da canção (https://www.youtube.com/watch?v=HhswV1Ks9gE).  Deste modo se compreende melhor o humor e os deslocamentos presentes na composição. Este era um recurso criativo usual dos compositores de marchinhas: o disparate cômico de tratar com alegria temas ásperos e adversos.

 

 

 

Barnabé, o funcionário

 

 

 

Quadro extranumerário

Ganha só o necessário

Pro cigarro e pro café

Quando acaba seu dinheiro

Sempre apela pro bicheiro

Pega o grupo do carneiro

Já desfaz do jacaré

O dinheiro adiantado

Todo mês é descontado

Vive sempre pendurado

Não sai desse tereré

Todo mundo fala fala

Do salário do operário

Ninguém lembra o solitário

Funcionário Barnabé

Ai Ai Barnabé

Ai Ai funcionário letra É

Ai Ai Barnabé

Todo mundo anda de bonde

 

Só você é que anda a pé…

 

     Saindo das ruas e do período carnavalesco, o epíteto ganhou a imprensa carioca, que começou a utilizar o apelido para identificar o servidor público de “vida apertada”, consagrando-o definitivamente. Embora o modo de vida do Barnabé em todas suas dimensões ainda continue presente, o apelido caducou, assim como, infelizmente, o uso inteligente, criativo e bem-humorado das marchinhas. Bem provavelmente o tom nebuloso e exasperado dos debates e discussões dos últimos tempos tenha contribuído muito para isso. E talvez nosso cotidiano tenha ficado mais próximo da canção Tão, de Rita Lee! Quem sabe falamos dela futuramente. https://www.youtube.com/watch?v=ZneuCCHmFZU.

 

     ... Desde então, os governos federais vêm destacando o servidor público nas justificativas para a crise do Estado, muitas vezes criticando o alto custo e a ineficiência destes trabalhadores. Este fenômeno reforça o imaginário social do servidor público parasita, acomodado, oportunista, incompetente, faltoso, moroso, que presta atendimento de má qualidade e ineficiente, como já foi discutido no Capítulo 14. O peso da estrutura burocrática, a desvalorização e a pressão sobre os servidores públicos contribuem para acentuar problemas de saúde relacionados ao trabalho (CHANLAT, 2002;FRANÇA, 1993;TAVARES, 2003).

 

     ... A imagem do servidor público foi alvo de interesse nos estudos realizados por França (1993) e Ferri (2003. Ambos retratam um conjunto de estereótipos negativos historicamente associados à imagem do servidor público, em que este é caracterizado como trabalhador que não trabalha, ineficiente, incompetente, desestimulado, improdutivo, acomodado, relapso, faltoso, moroso, e que presta mau atendimento. ...

 

     Comentário:

     Os governantes transformaram o serviço público numa farra eleitoreira, abrindo vagas e mais vagas verdadeiro cabide de empregos aos afilhados dos políticos, sem falar nos concursos públicos, deixaram a burocracia pública num verdadeiro inchaço.

     Para os políticos era confortável aquela demanda de empregos públicos deixando o país sobrecarregado em despesas permanentes, mesmo com vencimentos mínimos, mas a quantidade estava superando a qualidade do serviço público, e com isso, veio a falta de estímulo do servidor por ganhar pouco, e esse pouco ganho estimulou os servidores a prática constante da propina, (toma lá, dá cá) para aumentar a sua renda mensal, mas tinha também os que ganhavam fortunas salariais e mantinha a mesma prática de receber propinas em troca de um serviço que deveria ser de graça, mas a ambição de ganhar mais ainda os estimulavam ao toma lá, dá cá. Foi por essas práticas imorais que os servidores públicos foram sendo taxados de preguiçosos, moroso e que, prestam mal atendimento ao público, porque o mal exemplo já vem de cima, dos seus chefes e hierárquicos, e agora se estenderam em todo sistema político legislativo, executivo e judiciário, a corrupção se generalizou e se tornou um serviço público normal.

     É preciso dar um vencimento digno aos servidores públicos do Brasil, porque é com uma renda alta que a nação prospera, o que está havendo é uma discriminação de classe dentro da própria classe, o presidente Temer chegou a dar aumento de vencimentos para uma classe de servidores que já ganhavam muito bem, enquanto desprezou a classe menos favorecida, deixando esses servidores a passarem necessidades ou até fome com suas famílias por ganharem um salário mínimo ou vencimentos análogos, quando deveriam dar vencimentos mais altos aos que ganham menos e menos aos que ganham bastante para não haver discrepância salarial. Quando o Temer deu esse aumento aos funcionários da elite ninguém da mídia contestou, agora que o presidente Jair Bolsonaro falou em aumentar o salário de todos os funcionários todo mundo contestou e protestou, o presidente deveria fazer o mesmo que o Temer fez, só que, ao contrário, deveria dar um aumento substancioso a todos os servidores que não foram contemplados pelo Temer, e os que receberam na época do Temer não deveriam receber nesse momento atual. Os vencimentos dos servidores estão defasados a muitos anos, menos, os que ganham fortunas nos órgãos públicos e já foram contemplados com as benesses de aumentos nos vencimentos privilegiados.

 

Ernani Serra

 

https://www.youtube.com/watch?v=HhswV1Ks9gE

 

https://averdadenainternet.blogspot.com/search?q=Emprego+p%C3%BAblico

 

https://averdadenainternet.blogspot.com/search?q=corrup%C3%A7%C3%A3o

 

 

Pensamento: A política é a única profissão que não é preciso nenhuma preparação. Quanto mais analfabeto e incompetente melhor.

 

Ernani Serra

 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

 



ACIDIFICAÇÃO DOS OCEANOS


     Processo de acidificação dos oceanos pode acabar com toda a vida marinha.

1. Danos causados pela acidificação dos oceanos

1.1. Branqueamento dos corais

2. Efeitos positivos

3. Mais prejuízos econômicos

4. Tecnologia de mitigação para a acidificação

     Quando pensamos nas emissões de dióxido de carbono (CO2), fatores como o efeito estufa e o aquecimento global já vêm à cabeça. Mas as mudanças climáticas não são os únicos problemas causados pelo excesso de CO2 na atmosfera. O processo de acidificação dos oceanos é extremamente perigoso e pode acabar com a vida marinha até o fim do século.

     A acidificação começou desde a primeira revolução industrial, em meados do século XVIII, quando a emissão de poluentes aumentou rápida e significativamente graças à instalação das indústrias por toda Europa. Como a escala de pH é logarítmica, uma leve diminuição neste valor pode representar, em porcentagem, variações de acidez de grandes dimensões. Dessa forma, é possível dizer que desde a primeira revolução industrial a acidez dos oceanos já aumentou em 30%.

     Mas como se dá esse processo? Estudos demonstram que, ao longo da história, 30% do CO2 emitido pela ação humana foi parar no oceano. Quando a água (H2O) e o gás se encontram, é formado o ácido carbônico (H2CO3), que se dissocia no mar, formando íons carbonato (CO32-) e hidrogênio (H+).

     O nível de acidez se dá por meio do aumento da quantidade de íons H+ presentes em uma solução – nesse caso, a água do mar. Quanto maiores as emissões, maior a quantidade de íons H+ que se formam e mais ácidos os oceanos ficam.

     Danos causados pela acidificação dos oceanos

     Qualquer tipo de mudança, por menor que seja, pode modificar drasticamente o meio ambiente. As mudanças de temperatura, do clima, do nível de chuva e até do número de animais podem causar desequilíbrio ambiental. O mesmo pode ser dito sobre a alteração do pH (índice que indica o nível de alcalinidade, neutralidade ou acidez de uma solução aquosa) dos oceanos.

     A acidificação dos oceanos afeta diretamente organismos calcificadores. Um estudo publicado na Communications Biology identificou que a acidificação desestabiliza o equilíbrio ecológico das algas e prejudica os recifes de corais, gerando consequências irreversíveis. Além dos corais, outros organismos podem ser afetados, como alguns tipos de mariscos, algas, plânctons e moluscos, dificultando sua capacidade de formar conchas e levando ao seu desaparecimento. Em quantidades normais de absorção de CO2 pelo oceano, as reações químicas favorecem a utilização do carbono na formação de carbonato de cálcio (CaCO3), utilizado por diversos organismos marinhos na calcificação.

     A diminuição das taxas de calcificação afeta, por exemplo, o estágio de vida inicial desses organismos, bem como sua fisiologia, reprodução, distribuição geográfica, morfologia, crescimento, desenvolvimento e tempo de vida. Além disso, afeta a tolerância a mudanças na temperatura das águas oceânicas, tornando os organismos marinhos mais sensíveis, interferindo na distribuição de espécies que já são mais vulneráveis. Ambientes que naturalmente apresentam altas concentrações de CO2, como regiões vulcânicas hidrotermais, são demonstrações dos ecossistemas marinhos futuros: eles apresentam baixa biodiversidade e elevado número de espécies invasoras.

     Branqueamento dos corais

     Além disso, um estudo mostrou que o aquecimento das águas causado pela acidificação faz com que os corais expulsem algas simbióticas que vivem dentro deles produzindo a maior parte dos nutrientes por meio da fotossíntese. O processo transforma os corais em um branco fantasmagórico, uma condição chamada de branqueamento dos corais. Os corais podem sobreviver por um tempo sem as algas – eles usam tentáculos para capturar comida do oceano – mas quando o branqueamento dura muito ou acontece com muita frequência, os corais eventualmente morrem.

     Outra consequência advinda da perda de biodiversidade de ecossistemas marinhos é a erosão de plataformas continentais, que não apresentarão mais corais para ajudar a fixar os sedimentos. Estima-se que até 2100 cerca de 70% dos corais de águas frias estarão expostos a águas corrosivas.

     Efeitos positivos  

     Por outro lado, outras pesquisas apontam para a direção oposta, afirmando que alguns micro-organismos se beneficiam com esse processo. Isto se deve ao fato de que a acidificação dos oceanos possui também uma consequência que é, para alguns micro-organismos marinhos, positiva. A diminuição do pH altera a solubilidade de alguns metais, como o Ferro III, que é um micronutriente essencial para o plâncton, tornando-o assim mais disponível, favorecendo um aumento da produção primária, o que gera uma maior transferência de CO2 para os oceanos.

     Além disso, o fitoplâncton produz um componente chamado dimetilssulfeto. Ao ser lançado na atmosfera, esse elemento contribui para a formação de nuvens, que refletem os raios solares, controlando o aquecimento global. Esse efeito, porém, só é positivo até que sejam reduzidas as absorções de CO2 pelo oceano (devido à saturação deste gás nas águas), situação sob a qual o fitoplâncton, pela menor oferta de Ferro III, produzirá menos dimetilssulfeto.

     Mais prejuízos econômicos

     Em suma, podemos dizer que o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera termina por aumentar a acidez e temperatura das águas oceânicas. Até certo ponto, como vimos, isso é positivo, pois aumenta a solubilidade do Ferro III que é absorvido pelo fitoplâncton para a produção de dimetilssulfeto, contribuindo para minimizar o aquecimento global.

     Ultrapassado esse ponto, a saturação de CO2 absorvido pelo ambiente marinho, somado ao aumento da temperatura das águas, altera o sentido das reações químicas, fazendo com que menores quantidades deste gás sejam absorvidas, prejudicando organismos calcificantes e aumentando a concentração do gás na atmosfera. Por sua vez, esse aumento contribuiria para intensificar os efeitos do aquecimento global. Dessa forma, é criado um ciclo vicioso entre a acidificação dos oceanos e o aquecimento global.

     Além de todos os impactos já descritos, com a diminuição do pH oceânico, haverá também o impacto econômico, já que comunidades que se mantém à base de eco-turismo (mergulhos) ou de atividades pesqueiras serão prejudicadas.

     A acidificação dos oceanos pode também afetar o mercado global de créditos de carbono. Os oceanos funcionam como um depósito natural de CO2, que se forma por conta da morte de organismos calcários.   Como a acidificação atinge a formação de conchas, isso afeta também o depósito marinho de CO2 formado pela morte desses organismos calcários. Assim, o carbono deixa de estar armazenado por longos períodos de tempo nos oceanos e passa a se concentrar em maior quantidade na atmosfera. Isso faz com que os países precisem arcar financeiramente com as consequências.

     Tecnologia de mitigação para a acidificação

     A geoengenharia desenvolveu algumas hipóteses para acabar com esse problema. Uma delas é usar o ferro para “fertilizar” os oceanos. Dessa forma, as partículas do metal estimulariam o crescimento dos plânctons, que são capazes de absorver o CO2. Ao morrer, os plânctons levariam o gás carbônico para o fundo do mar, criando um depósito de CO2.

     Outra alternativa proposta foi a adição de substâncias alcalinas nas águas dos oceanos para equilibrar o pH, como pedra calcária esmagada. Porém, segundo o Professor Jean-Pierre Gattuso, da Agência Nacional de Pesquisas da França, este processo poderia ser eficaz apenas em baías com troca limitada de água com o mar aberto, o que daria um alívio local, mas não é prático em escala global, já que consome muita energia, além de ser uma alternativa cara.

     Na realidade, as emissões de carbono deveriam ser o foco da discussão. O processo de acidificação oceânica não afeta apenas a vida marinha. Povoados, cidades e até mesmo países são totalmente dependentes da pesca e do turismo marítimo. Os problemas vão muito além dos mares.

     Atitudes incisivas se fazem cada vez mais necessárias. Por parte das autoridades, leis sobre níveis de emissão e fiscalizações cada vez mais rigorosas. Por parte dos indivíduos, diminuir a pegada de carbono com pequenas medidas, como utilizar mais transporte público, principalmente em veículos movidos a fontes de energia renováveis ou optar por alimentos orgânicos, que sejam provenientes da agricultura de baixo carbono. Mas escolhas como essa só serão plenamente possíveis caso a indústria altere suas formas de lidar com os recursos naturais e também priorize a produção de bens que utilizem matérias-primas sustentáveis.

    

     Comentário:

     Para salvar o planeta tem que haver uma regressão no tempo e no espaço. Tem que escolher um tempo “x” e um espaço “y” do passado que seja sustentável para o planeta e aplicar o sistema.

 

Ernani Serra

 

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https://www.youtube.com/watch?v=y4vU7w8t25A

 

https://www.youtube.com/watch?v=1TDKSgw9V8Q

 

https://cetesb.sp.gov.br/proclima/gases-do-efeito-estufa/

 

Pensamento: O homem é um animal mais perigoso do planeta que pode exterminar todas as vidas e a sua própria vida planetária.

 

Ernani Serra

 

 

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

 


O PROBLEMA MUNDIAL É O HOMEM


     A humanidade é a responsável por toda destruição do planeta Terra.

     Não são os combustíveis fósseis e nem a poluição que são os responsáveis pela destruição do planeta.

     Se a população mundial estivesse estável em seu crescimento o planeta hoje seria outro, limpo, sem nenhum problema.

     Infelizmente, o homem achou de procriar feito um vírus e chegamos a explosão demográfica mundial. Se continuarmos no mesmo patamar de crescimento e destruição, a humanidade e todos os seres vivos do planeta serão extintos da face da Terra até o ano de 2100; que não está muito longe, essa data está num piscar de olhos.

     Os poderosos (magnatas) não querem abrir os cofres para proteger o meio ambiente, portanto, quando abrirem os olhos estarão mortos apesar de que, é uma gota d’água no oceano, se começar a lutar contra os efeitos danosos criados pelo próprio homem, não é muito, mais vai ajudar um pouco a natureza, mas, será preciso que haja o sacrifício da humanidade em prol de toda a humanidade, ou seja, a diminuição populacional mundial e acompanhada da esterilização da maioria da humanidade para deixar o planeta em equilíbrio, com pouca gente: poucos carros e combustíveis fósseis, agrotóxicos, CO2, desmatamento, incêndios florestais, pastos, agropecuária, poluição do ar, terra e águas, menos aquecimento global, menos indústrias, menos estradas, menos invasões de terras e selva de pedras, menos plásticos, etc.

     Ou se salva tudo com sacrifício ou não se salva nada neste planeta. Quem vai ficar estéril é o próprio planeta Terra. O planeta está pedindo socorro!

 

Ernani Serra

 

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Pensamento: “O resultado é que o homem não vive nem no presente nem no futuro; ele vive como se nunca fosse morrer, e depois morre sem nunca ter realmente vivido.”

 

Dalai Lama

sábado, 13 de novembro de 2021

 



GENOCÍDIO INDÍGENAS

       8 anos e 12 quilos, a criança com malária e desnutrição que simboliza o descaso com os Yanomami no Brasil.

     Etnia enfrenta crises sanitária e ambiental com escalada de violência por garimpos ilegais. Povo denuncia novo ataque neste domingo. Imagem expõe o grave e crônico problema da assistência à saúde em várias aldeias.

     Criança Yanomami com desnutrição e malária, na aldeia Maimasi.

     Criança Yanomami com desnutrição e malária, na aldeia Maimasi.

     Uma rede escura acomoda o corpo miúdo de uma criança Yanomami tão magra que é possível ver sua pele moldar as costelas. A fotografia de uma menina de oito anos que pesa apenas 12,5 quilos (o peso mínimo normal para a idade seria de 20 quilos), feita na aldeia Maimasi em Roraima, expõe um problema crônico de desassistência à saúde que os povos indígenas enfrentam no coração da Amazônia ― e que vem crescendo ano após ano. A criança estava acometida por malária, pneumonia, verminose e desnutrição, em uma região sem visitas regulares de equipes sanitárias e que fica a 11 horas a pé do polo de saúde mais próximo. Ela teve sua imagem capturada dias antes de ser transferida de avião a um hospital da capital Boa Vista no dia 23 de abril, onde já se recuperou da malária, mas segue em tratamento para os outros problemas. Virou símbolo do histórico descaso do Brasil com o povo Yanomami, que luta para sobreviver em meio a uma junção de graves crises: a escalada de violência por garimpeiros ilegais, os impactos ambientais que levam fome a algumas regiões e a fragilidade do acesso à atenção sanitária.

     MAIS INFORMAÇÕES

     Tainaky Tenetehar, da Terra Indígena Arariboia.

     Se a nossa terra, a nossa floresta sumir, o que vai ser do meu povo?

     Os Yanomami contra o coronavírus (e contra a diarreia, as lombrigas e os garimpeiros...)

     Dário Kopenawa, liderança do povo Yanomami.

     “Meus antepassados morreram pelo mesmo que eu tô enfrentando: o garimpo ilegal e a epidemia”

     “Na cultura Yanomami a gente não pode demonstrar imagem de criança, frágil, doente. Mas é muito importante [fazer isso] pela crise que estamos vivendo”, explica o líder indígena Dario Kopenawa, ao autorizar a publicação da fotografia nesta reportagem. Para esta etnia, a imagem da pessoa é parte importante dela e disseminá-la em uma situação de enfermidade pode enfraquecê-la ainda mais. Até quando se morre, é preciso queimar todas as lembranças de quem partiu para preservar seu espírito no mundo dos mortos. Mas a comunidade decidiu divulgar a fotografia enquanto a criança tenta se recuperar para denunciar aos napëpë ―como chamam os não indígenas― seu sofrimento diante da grave crise de saúde que os ameaça.

     “Esta foto é uma resposta da violação de direitos dos povos indígenas”, resume Kopenawa. Enquanto a malária e a covid-19 avançam sobre as aldeias, lideranças narram que equipes de saúde foram reduzidas com profissionais afastados por covid-19 e outras doenças, postos de saúde foram fechados temporariamente e falta helicóptero para transporte de pacientes em áreas de difícil acesso. “A gente sofre há muito tempo sem estrutura boa, sem todos os profissionais completos pra dar assistência. Com a pandemia, piorou”, destaca Konepawa. O problema afeta especialmente as comunidades mais isoladas, que dependem de visitas esporádicas das equipes. “Tem locais que estão ainda sem vacinação contra a covid-19 porque não têm profissionais. São comunidades que ficam longe dos postos, não têm como chegar”, acrescenta Júnior Yanomami, membro do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), um órgão responsável pelo controle social das ações governamentais. No Brasil, os grupos indígenas são prioritários na fila de vacinação.

          “A saúde Yanomami está abandonada. Falta tudo”, continua o líder indígena. Segundo ele, a aldeia Maimasi, que vive um surto de malária e onde várias crianças padecem com desnutrição e verminoses, não recebia visita de equipes de saúde havia seis meses, quando profissionais atenderam a criança da fotografia (divulgada por um missionário católico e publicada pela Folha de S. Paulo), no final de abril. A equipe não dispunha de medicamentos suficientes para todos os que precisavam, conta o indígena. A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), responsável pela atenção aos povos originários, dá uma versão diferente: diz que o atendimento ocorreu dia 19 de março, “mas a família não autorizou a remoção para uma unidade de saúde”.   Também garante ter estoque suficiente de medicamentos e ter contratado profissionais de saúde, mas não esclarece qual é a frequência das visitas à aldeia. A Sesai tampouco informa ao EL PAÍS sobre a incidência de malária, desnutrição e mortalidade infantil para dar a dimensão do crescimento das doenças na região.

     Esses problemas de saúde não são generalizados em todo o território Yanomami ―tão vasto quanto a área de um país como Portugal―, mas estão presentes em várias comunidades. Um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz em duas áreas do território ―Auaris e Maturaká― e divulgado no ano passado dá pistas sobre o tamanho do problema: 80% das crianças de até 5 anos apresentavam desnutrição crônica e 50% desnutrição aguda nestes locais. A situação está relacionada desde à escassez de água potável até a falta de acompanhamento nutricional e de pré-natal na gestação. Passa ainda pelos quadros de verminoses, malária e diarreia frequentes nas comunidades, sem ações preventivas de saúde fortes. “Desde 2019, relato as necessidades e pedimos socorro ao Governo”, diz Júnior Yanomami. “Agora está pior. Aumentou muito a desnutrição. Onde tem garimpo forte tem o problema da fome. E na pandemia aumentaram as invasões. Como eu vou explicar a fome dos Yanomami? Eles [os garimpeiros] sujam os rios, destroem a floresta, acabam a caça. Nós nos alimentamos da natureza”, explica o indígena.

     Os moradores da Maimasi são descendentes de um dos grupos mais afetados pela abertura da estrada Perimetral Norte (BR-210) na década de 1970, durante a ditadura militar. Naquela época, parte significativa do grupo morreu diante de surtos de sarampo e outras doenças levadas pelos trabalhadores das obras. Há anos, eles cobram um posto de saúde, mas por enquanto seguem dependendo de visitas esporádicas da equipe de saúde à comunidade. A situação que já era difícil ficou pior especialmente a partir do ano passado. As visitas diminuíram enquanto cresceram as atividades de garimpeiros ilegais, aumentando a chance de doenças transmissíveis e a violência. E os casos de malária, enfrentados pelos indígenas há décadas e considerados “endêmicos” pela Sesai, seguem crescendo. Segundo Júnior Yanomami, só neste ano já foram identificados cerca de 10.000 casos, o que corresponde a pouco mais de um terço de toda a população yanomami, de cerca de 29.000 pessoas. “A criança na foto provavelmente expressa esse somatório de tragédias”, afirma uma nota da Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana.

     “Nosso território está vulnerável com tantos problemas ao mesmo tempo”.

     Os vários problemas sanitários, ambientais e sociais enfrentados não estão dissociados. O desmatamento na Amazônia no último mês de abril foi o maior em seis anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O desmatamento tem crescido ano após ano, e o desequilíbrio ambiental interfere na alimentação dos povos da floresta, que se alimentam do que colhem, pescam e caçam nas comunidades mais isoladas. Em várias áreas, a presença de garimpeiros e madeireiros ilegais leva ainda à contaminação de rios com mercúrio, contribuindo para desnutrição, desidratação e diarreia.  Com os recursos diminuindo na floresta e a fome à espreita, alguns indígenas acabam trabalhando com não indígenas e aderindo a uma alimentação industrializada e menos nutritiva. “Não dá para generalizar que as crianças estão morrendo desnutridas, com fome. Tem esse problema onde há presença dos garimpeiros. Onde não tem garimpo as crianças estão saudáveis, comendo bem e cuidando de suas atividades. O que falta é assistência de saúde”, defende Kopenawa. “A vida do povo Yanomami está em risco. Nosso território está vulnerável com tantos problemas ao mesmo tempo.”

     Crianças do povo Sanöma, que vive na Terra Indígena Yanomami, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

     A escalada da violência com garimpos ilegais.

     Às crises sanitária e ambiental, soma-se ainda uma escalada de violência em algumas regiões. É o caso da comunidade indígena Palimiu, em Roraima. Há uma semana, a aldeia enfrenta ataques de garimpeiros, com tiros, bombas e gás lacrimogêneo contra os indígenas.  Na última terça, garimpeiros ilegais trocaram tiros com a Polícia Federal durante uma visita para averiguar as denúncias de ataques à aldeia. “Eu nunca tinha visto tantos tiros. Só em filme. Eles [garimpeiros] eram muitos e tinham armamento pesado”, conta Júnior Yanomami, que estava na comunidade naquele momento. No ano passado, os indígenas criaram uma barreira sanitária para evitar a passagem de garimpeiros e tentar frear a disseminação do coronavírus. Mas o rio Uraricoera, onde fica a barreira, é uma das principais rotas para a atividade. No dia 24 de abril, os Yanomami impediram a passagem de um grupo. Tentaram negociar para que não voltassem. A resposta, segundo Júnior Yanomami, veio meio hora depois, com tiros em direção à comunidade.     Os indígenas revidaram com flechas e tiros de espingarda.

     Os vários conflitos na última semana, segundo relatam os indígenas, deixaram três garimpeiros e um Yanomami feridos. Duas crianças teriam morrido afogadas enquanto fugiam dos tiros, segundo lideranças.  O último ataque, dizem, foi na noite de domingo. “É uma coisa muita séria. Todos lá estão com muito medo. Eu também fiquei”, emenda Júnior Yanomami. “Tem Yanomami correndo risco. Tenho medo de acontecer um massacre a qualquer momento. O Governo Federal tem que se mexer”, clama.

     Entidades indigenistas veem o posicionamento do presidente Bolsonaro, que já fez declarações contra a demarcação da terra indígena Yanomami e costuma defender a regularização do garimpo nos territórios, como um estímulo aos conflitos. Na última quarta-feira, o Exército até deslocou homens para a comunidade, mas os retirou horas depois. A 1ª Brigada em Boa Vista não respondeu à reportagem se reenviará os militares e o que motivou a retirada deles. A Polícia Federal, por sua vez, deve retornar para investigar o caso. Enquanto isso, os indígenas seguem em estado de alerta e medo, contam lideranças. Até que a situação se modifique, devem ficar também sem os serviços de saúde, já que a Sesai retirou os profissionais diante da gravidade da situação. “A unidade de atendimento será reaberta tão logo seja possível atuar em segurança”, afirma a secretaria, acrescentando que atendimentos de urgência serão realizados pontualmente no distrito sanitário indígena que fica fora do território. Já a Fundação Nacional do Índio não retornou os contatos da reportagem. “O clima é de medo. Muito medo. Agora só eles estão lá. Não tem PF, Exército nem Saúde. Estão sozinhos para defender a sua comunidade”, finaliza Júnior Yanomami.

 

     Comentário:

     Os índios brasileiros estão sendo massacrados pela fome, epidemias, contaminações, invasões, agressões, assassinatos, etc. Tudo isso, porque o governo de Jair Bolsonaro permite aos invasores das terras indígenas esse massacre que vai se tornar um genocídio étnico indígena.

     O maior facínora é aquele que extermina as etnias de maneira indireta através de terceiros ou priva esses povos de se alimentarem corretamente, é o caso dos garimpos, desmatamentos e incêndios criminosos, que o governo vem apoiando as invasões de grileiros, garimpeiros, devastadores de árvores através dos motosserras, tratores e correntes, e também, áreas para agropecuária em territórios do Amazonas e do Pantanal Mato Grosso, foram eles que privaram os índios de se alimentarem da caça e da pesca por ter envenenado as águas com metais pesados (mercúrio) e afastaram e mataram pelo desmatamento e incêndios os animais silvestres.

     Agora os índios estão a Deus dará, vivendo como párias, mendigos, favelados, aculturados. É muito triste ver essas nações indígenas em estado deplorável pela ambição e pelo poder do homem branco. Antigamente, esses índios eram fortes, sadios, viviam felizes porque tinha de tudo para viver e sobreviver através da natureza que lhes davam em abundância. Onde o homem branco chega destrói tudo, é um cupim querendo ser humanos mas na verdade não passam de monstros exterminadores da humanidade, do meio ambiente, e de si mesmo.

     Pobres povos indígenas que estão abandonados a própria sorte e o governo do faz de conta, faz que está protegendo mas está exterminando lentamente com a etnia indígena. Só Deus pode salvar os índios, e as florestas: Amazônica e a Atlântica e também o Pantanal; que estão sendo devastadas sem dó nem piedade.

     Cadê as autoridades internacionais que não ajudam e não criminalizam as autoridades pelo extermínio lento dos povos indígenas, estão todos de braços cruzados em cima do muro, mas vai chegar a vez da humanidade pagar pelas omissões e conivência com esses crimes de holocausto contra nações aborígenes.

     Com o avanço da destruição da floresta Amazônica em 2030 não haverá mais floresta e sim savanas amazonenses.

     A COP-26 e todos os seus membros são responsáveis pela destruição da floresta Amazônica e do Pantanal do Mato Grosso são todos coniventes com a política de extermínio da natureza de Jair Bolsonaro. Se esses membros da COP-26 quisessem acabar com a destruição da natureza aqui no Brasil, bastava fazer um boicote em todas as exportações (commodities) do Brasil, forçando o governo a reflorestar toda área que foi destruída pelo fogo e desmatamentos; e de imediato, acabar com os garimpos legais e ilegais, com as queimadas e cortes de árvores. Só depois de estabilizar o meio ambiente é que os países da COP-26 começariam a importar os produtos boicotados do Brasil. Por esta negligência das autoridades mundiais é que, no futuro próximo vão pagar caro pela displicência em suas ações neutras.

 

Ernani Serra

 

https://oglobo.globo.com/mundo/em-meio-cop26-desmatamento-na-amazonia-aumenta-5-bate-recorde-para-outubro-25274503

 

https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2021/01/bolsonaro-areas-indigenas-invasao-2020/

https://www.institutojurumi.org.br/2021/02/incendios-florestais-no-brasil.html

 

https://terrasindigenas.org.br/noticia/31836

 

Pensamento: O homem branco vive da miséria das nações indígenas.

 

Ernani Serra