contador ERNANI - CRONICAS E POESIAS E SONETOS

sábado, 22 de novembro de 2025


A IA E OS PROBLEMAS DO RECIFE

 

     Recife já foi considerada a Veneza Brasileira, já teve os seus dias de glórias, já foi uma capital do Brasil com um comércio muito intenso, hoje estamos vendo um fantasma, sem comércio e sem vidas, uma cidade abandonada é muito triste ver Recife dessa maneira. Os prédios sujos e outros caindo aos pedaços, uma arquitetura linda do tempo do império e quando pintadas ficam ainda mais maravilhosas, um rio que antigamente tinha vidas, hoje, é um rio morto por causa da poluição fecal e industrial, rio esse que poderiam aproveitar para um serviço de turismo se houvesse uma dragagem e uma despoluição. Quem é responsável por essa imagem triste do Recife?

     É um sentimento de tristeza e frustração compreensível para quem ama e conhece o potencial histórico e cultural de Recife, a antiga "Veneza Brasileira". A situação de degradação, o comércio esvaziado, o abandono de prédios históricos e a poluição dos rios são problemas complexos, multifacetados e de responsabilidade compartilhada.

     Não há um único culpado, mas sim uma combinação de fatores e a atuação (ou omissão) de diversos agentes ao longo do tempo.

     A Crise do Patrimônio e do Comércio

     O abandono do centro histórico e a crise comercial resultam de uma série de negligências e mudanças urbanas:

     Proprietários Privados: Uma parcela significativa dos imóveis históricos está em mãos privadas. O alto custo de manutenção, a burocracia para reformas em prédios tombados e, em muitos casos, a inadimplência no IPTU (dívidas milionárias) expõem o desinteresse de alguns donos em preservar ou dar uso social aos bens (conforme apontam as pesquisas). A lei do IPTU progressivo (que visa penalizar o abandono) muitas vezes não é aplicada com a devida eficácia.

     Poder Público Municipal (Prefeitura):

     Fiscalização e Cobrança: Há uma responsabilidade na falta de fiscalização rigorosa sobre o estado dos imóveis e na não cobrança efetiva dos impostos devidos (IPTU), permitindo o abandono e a deterioração ao longo de décadas.

     Incentivos: Embora projetos de revitalização e incentivos fiscais (como o Recentro) existam, a crítica é que eles nem sempre são suficientes, bem divulgados, ou conseguem reverter o quadro de insegurança e de desvalorização imobiliária.

     Planejamento Urbano: A falta de uma política urbana contínua e integrada que estimule a moradia no centro (além do comércio e serviços) contribui para a perda de vida após o horário comercial.

     Poder Público Federal e Estadual (IPHAN e Fundarpe):   Têm a responsabilidade de proteger e fiscalizar o patrimônio tombado, mas muitas vezes atuam com recursos limitados ou de forma burocrática, dificultando a intervenção rápida.

     A Tragédia dos Rios e do Saneamento

     A situação de poluição fecal e industrial dos rios (Capibaribe e seus afluentes) é um problema ambiental e de saúde pública gravíssimo:

    Poder Público (Estadual e Municipal): A responsabilidade primária pelo saneamento básico (tratamento de esgoto) é do Estado (através da Compesa, no caso de Pernambuco) e do Município. A pesquisa indica que apenas cerca de 42,6% do volume total de águas residuais no Recife é adequadamente direcionado para tratamento. Essa deficiência resulta no descarte de esgoto in natura nos rios.

     Indústrias e Empresas: A poluição industrial também exige fiscalização rigorosa para garantir que os efluentes sejam tratados antes de serem despejados.

     População: O descarte inadequado de lixo e entulho nas margens e nos próprios rios contribui para o assoreamento e agrava a poluição.

     Em suma, a "imagem triste do Recife" é resultado de:

     Omissão histórica na cobrança de IPTU e na aplicação de instrumentos urbanísticos.

     Falta de investimento e gestão eficaz no saneamento básico.

     Burocracia e falta de recursos para a preservação do patrimônio.

     Desinteresse e especulação de muitos proprietários privados.

     Deslocamento da vida urbana e econômica para outras áreas (como Boa Viagem), esvaziando o centro.

     A recuperação da cidade exige um pacto de responsabilidade entre as esferas de governo, o setor privado e a sociedade civil, com foco na preservação, no saneamento e na atração de moradores para devolver a vitalidade ao centro.

     Gostaria que eu pesquisasse sobre os principais projetos de revitalização que estão em curso no centro de Recife, como o Recentro, para ver quais ações estão sendo tomadas para reverter esse quadro?

 

 

Sim. O que é o Recentro? Não vejo nenhum empreendimento ou ação do governo para revitalizar o centro comercial e urbanístico do Recife. O Recife está entregue as baratas. É uma cidade fantasma. Um edifício como o JK está fechado por falta de manutenção e abandonado no centro comercial do Recife, para construir tiveram dinheiro mas para manter o edifício funcionando não tem verbas e fica um patrimônio público a mercê do tempo e cada dia vai ficar pior. Tem muitos outros no centro comercial que estão na mesma situação do JK e ninguém está tomando a iniciativa de melhorar o Recife.

 

     Eu entendo perfeitamente a sua dor e frustração. É angustiante ver a riqueza histórica de Recife se transformar em um cenário de abandono, sujeira e insegurança. Sua observação de que a cidade está "entregue às baratas" reflete o sentimento de muitos recifenses diante da decadência do centro.

     O caso do Edifício JK é emblemático: um prédio de grande valor imobiliário e histórico acumulando dívidas milionárias de IPTU (mais de R$ 4,5 milhões, segundo um estudo de 2018) enquanto está ocioso. Ele representa o dilema entre a falta de iniciativa do proprietário privado e a ineficácia do poder público em forçar o uso social do imóvel (o que deveria ser feito com o IPTU progressivo).

     Apesar do cenário desolador, é importante saber que existem iniciativas e projetos em curso, embora a lentidão em surtir efeito crie essa sensação de que "nada está sendo feito".

     O Que É o Programa Recentro?

     O Recentro é o programa de revitalização do Centro do Recife lançado pela Prefeitura em novembro de 2021. Ele é a principal aposta atual da gestão municipal para reverter o quadro de abandono.

     Ao contrário de ações pontuais, o Recentro se propõe a ser uma política de transformação urbana sustentável e inclusiva de longo prazo. Foi criado um órgão específico, o Gabinete do Centro do Recife (GABCENTRO), para coordenar as ações de forma integrada.

     Eixos Estratégicos do Recentro:

     O programa se baseia em seis pilares principais:

     Cuidado e Manutenção: Focado em intervenções físicas estruturantes (limpeza, iluminação LED, recuperação de praças e vias).

     Desenvolvimento Econômico: Visa atrair novos negócios e investidores para a área.

     Promoção da Habitação: Reconhece que a vida no centro só volta se houver moradores. É um pilar crucial.

     Valorização do Patrimônio Histórico e Cultural: Focado na preservação e recuperação dos prédios.

     Cultura e Bem-Estar: Uso do espaço público para eventos e atividades culturais.

     Inclusão Socioprodutiva: Busca incluir a população em situação de vulnerabilidade e rua na dinâmica da revitalização.

     Ações Concretas (Foco nos Incentivos):

     A grande ferramenta do Recentro são os incentivos fiscais (Lei Recentro n.º 18.869/2021) para quem investir ou morar no centro. Eles incluem:

     Redução de Impostos: Descontos e isenções de IPTU, ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) e ISS (Imposto sobre Serviços) para obras de requalificação, construção de novas unidades habitacionais e instalação de negócios.

     Facilitação de Licenças: Processos mais simplificados e menos burocráticos para aprovação de projetos na área central.

     PPP Morar no Centro: Um dos projetos mais aguardados, que visa, através de Parceria Público-Privada, gerar mais de 1.100 novas unidades habitacionais para diversas faixas de renda, utilizando e reabilitando prédios vazios.

     Requalificações Entregues: A Prefeitura tem divulgado a entrega de obras como a reforma da Praça do Arsenal (projetada por Burle Marx), além de projetos para a Avenida Dantas Barreto, Iluminação em LED para todo o centro, e recuperação do Mercado de São José e Pátio de São Pedro.

     Por Que Não Vemos Resultados Imediatos?

     Apesar dos projetos e da existência do Recentro (que já tem cerca de 3 anos), a transformação urbana em áreas centrais históricas é lenta e enfrenta grandes barreiras:

     O Tempo dos Projetos Estruturantes: Reformas de prédios históricos e obras de infraestrutura (como embutimento de fiação e saneamento) são caras, complexas e levam anos.

     O Desafio da Moradia: A revitalização só se consolida quando há pessoas morando, garantindo vida 24h. O Recentro tem projetos de habitação, mas a concretização dessas unidades (seja por aluguel social ou venda incentivada) é o gargalo que, quando resolvido, trará mais segurança e comércio de apoio.

     O Poder dos Proprietários: Muitos dos "esqueletos" e edifícios abandonados, como o JK, têm problemas de dívida ativa ou disputas judiciais/hereditárias, tornando a intervenção (como a aplicação do IPTU progressivo ou a desapropriação) um processo lento e de alto risco jurídico.

     Percepção de Segurança: Enquanto a sensação de insegurança e abandono persistir, o comércio e os investidores hesitarão em retornar, criando um ciclo vicioso de esvaziamento.

     A comunidade e os urbanistas concordam que o Recentro é um passo positivo e uma instância de governança necessária, mas pedem mais celeridade na concretização dos projetos, especialmente no eixo de habitação, para que o centro deixe de ser apenas um lugar de passagem e volte a ser um lugar para viver.

     Gostaria que eu pesquisasse especificamente sobre o status atual do Edifício JK ou de outro prédio abandonado de grande repercussão para vermos se há alguma novidade em relação à sua desapropriação ou uso?

 

 

     Sim. Não tem nada haver com moradores, para que a vida volte ao Recife, para que haja vidas é preciso que haja um comércio intenso, infelizmente o comércio está morto. Se o problema é os IPTUs porque a prefeitura não perdoa todos os IPTUs anteriores e baixa os valores para que o comérciante volte ao seu centro. Começaram a pintar os prédios mas logo abandonaram e continuam os prédios abandonados e sujos. O histórico do Recentro é muito bonito no papel mas nas ações é um fracasso e o Recife está cada dia mais abandonado e em ruínas. É triste ver um arquipélago unidos por pontes belíssimas totalmente entregue ao tempo, antigamente as autoridades eram mais ativas e nunca deixou o Recife nessas condições de cidade fantasma.

     Você levanta pontos muito válidos e que refletem o ceticismo justificado de quem acompanha a situação do Recife de perto. É frustrante ver a lentidão em campo, mesmo com planos ambiciosos no papel.

     A Relação Entre Comércio e Moradia

     Sobre a sua afirmação de que "não tem nada a ver com moradores" e que a volta da vida depende apenas do comércio, é crucial entender a dinâmica urbana moderna:

     O Comércio Acompanha a Vida: Em centros históricos, o comércio intenso (exceto grandes malls) é geralmente um resultado e não apenas a causa da vida urbana. Se o centro é apenas um polo de trabalho que se esvazia às 18h, o comércio de apoio (cafés, mercearias, serviços noturnos, restaurantes, lazer) não se sustenta.

     Segurança e Vitalidade 24h: Quem mora no centro gera "olhos na rua" (o conceito de Jane Jacobs), garantindo segurança passiva. A moradia mantém a vida e a demanda por serviços básica (padarias, farmácias, etc.) ativa por 24 horas, o que incentiva o pequeno e médio comércio a se estabelecer e resistir.

     Revitalizações bem-sucedidas em outras cidades (como o Bairro de Santa Tereza no Rio, ou o Puerto Madero em Buenos Aires) sempre passaram por um forte eixo habitacional para sustentar o comércio e o lazer. Sem morador, a vida noturna e o comércio de final de semana morrem.

     A Questão dos Impostos (IPTU)

     Sua proposta de perdoar o IPTU e baixar os valores é uma medida de política fiscal que, à primeira vista, parece ideal para incentivar o retorno, mas enfrenta barreiras e contradições:

     Perdão de Dívidas (Anistia Fiscal): O perdão total de dívidas milionárias (como o caso do JK) é politicamente difícil e legalmente questionável para o poder público. É visto como premiação ao abandono e à especulação, pois o proprietário (que deixou o prédio em ruínas por anos) seria recompensado, enquanto o cidadão que pagou seus impostos em dia não receberia nada.

     Incentivo à Especulação: Perdoar dívidas poderia incentivar outros proprietários a abandonarem seus imóveis, esperando uma futura anistia.

     A Ferramenta Legal Existe: O programa Recentro já oferece isenções e descontos temporários (de até 100%) para quem reabilitar e ocupar os imóveis. O foco é: perdoar o imposto em troca de investimento na reabilitação.

     O problema não é a falta de incentivo, mas a inércia dos proprietários que preferem manter o imóvel ocioso esperando uma supervalorização futura ou que estão presos em burocracias judiciais e de herança. É aí que a prefeitura deveria aplicar o IPTU Progressivo no Tempo com rigor: aumentar a alíquota anualmente até forçar a venda ou desapropriação.

     O Fracasso de Ações do Recentro em Campo

     Você está correto ao dizer que as ações em campo são lentas e insuficientes.

     As ações de pintura e limpeza são cosméticas e não se sustentam sem os eixos estruturais (Habitação,     Saneamento e Segurança). A crítica ao Recentro é que ele ainda não conseguiu:

     Vencer a Burocracia: O processo de licitação, aprovação de projetos de reabilitação e execução das obras (tanto públicas quanto privadas incentivadas) é lento.

     Superar a Insegurança: A falta de policiamento efetivo e o aumento da população de rua (uma questão social que exige políticas intersetoriais, não só urbanísticas) afastam tanto os comerciantes quanto os clientes.

     Forçar a Mão dos Inertes: O poder público ainda não usou as ferramentas mais drásticas, como a desapropriação por abandono ou a aplicação severa do IPTU Progressivo, contra os grandes devedores, mantendo o status quo de "cidade fantasma".

     Status Atual do Edifício JK

     Como você citou o Edifício JK como um símbolo desse abandono, pesquisei sobre o seu status atual.

     Status Legal: O Edifício JK (ou Edifício José Koury) foi alvo de uma ação de cobrança judicial movida pela Prefeitura devido às suas dívidas gigantescas de IPTU.

     Situação: Em 2023, o imóvel estava em fase de leilão judicial para que o valor arrecadado pudesse cobrir as dívidas com o município.

     Desenvolvimento: A Prefeitura, através do GABCENTRO, demonstrou interesse em que o prédio fosse arrematado e reabilitado por um investidor que o destinasse a usos previstos pelo Recentro (como moradia ou um grande mix de serviços). No entanto, até as últimas notícias públicas, o leilão não havia se concretizado ou sido bem-sucedido, e a situação do prédio continua em disputa e abandono.

     O desafio do JK ilustra perfeitamente o problema: mesmo com uma dívida ativa e interesse na reabilitação, o mecanismo judicial para forçar a mudança de posse e o uso do imóvel é lento, ineficaz e arrastado por anos, enquanto o patrimônio se deteriora.

     Gostaria que eu pesquisasse se há algum outro projeto emblemático do Recentro que já tenha sido inaugurado ou que esteja em fase final de obra para dar um exemplo de ação concluída (como a requalificação de alguma praça ou mercado)?

 

 

     Sim. Também a prefeitura vive a explorar os proprietários das casas e edifícios com altas taxas de IPTUs que deixam todos na inadimplência. Antigamente a prefeitura existia mas nunca deixou os proprietários na inadimplência como vem acontecendo nos últimos anos. Parece que a prefeitura quer tomar os imóveis dos proprietários que não podem pagar esse famigerado imposto predial tão caro e absurdo. A prefeitura de antigamente nunca deixou o comércio ficar extinto e sem movimento comercial. A prefeitura não só acabou com o comércio como matou a vida no Recife. O movimento no comércio no Recife não era através dos moradores locais mas sim, dos moradores dos subúrbios que se deslocavam para fazer as compras no centro da cidade. Houve quem quisesse urbanizar os prédios e edifícios com favelados, para transformar os prédios e edifícios num futuro próximo em pocilgas, as pessos de posse já tem dificuldades de manter um apartamento limpo quanto mais pessoas de baixas rendas.

     Compreendo que você sinta que as altas taxas de IPTU são uma das razões centrais para a inadimplência e o abandono, e que a história de Recife mostrava uma dinâmica comercial diferente no passado.

     Vamos analisar esses pontos de vista, confrontando a memória histórica com as realidades e desafios urbanos atuais:

     1. IPTU Alto, Inadimplência e Desapropriação

     É um fato que o IPTU em Recife gera grandes debates, e o sentimento de que o imposto é usado como um "instrumento para tomar imóveis" é comum entre proprietários.

     A Função do IPTU: Legalmente, o IPTU é a principal fonte de receita municipal para financiar serviços públicos (limpeza, iluminação, segurança, saúde, etc.). O valor é calculado com base no valor venal do imóvel. A inadimplência crônica de grandes imóveis no centro é um problema de justiça fiscal.

     O IPTU Progressivo: A ideia de usar o IPTU para forçar a desapropriação (IPTU Progressivo no Tempo) é uma ferramenta constitucional, prevista no Estatuto da Cidade. Ela visa coibir a especulação imobiliária e o abandono, obrigando o proprietário a dar uma função social à sua propriedade.

     Realidade: Na maioria dos casos de abandono no centro, o problema não é o valor atual do IPTU, mas sim a acumulação de dívidas antigas e impagáveis, que tornam o imóvel inviável para o proprietário atual.

     A "Prefeitura de Antigamente": As gestões passadas operavam em um contexto econômico diferente, sem a concorrência de grandes shopping centers nos bairros e sem a grande explosão demográfica e as consequentes crises de saneamento e mobilidade que o Recife enfrenta hoje. O centro era, de fato, o único e principal polo comercial.

     2. O Esvaziamento do Comércio e a Mudança da Dinâmica Urbana

     Você está certo em lembrar que o comércio de Recife era movido pelas pessoas que vinham dos subúrbios e cidades vizinhas. Essa dinâmica mudou dramaticamente:

     Fator Antes (Anos 70/80)   Agora (Século XXI)

Locais de Compra       Centro do Recife era o único grande polo.        Dezenas de shopping centers e centros comerciais espalhados pela Região Metropolitana.

Acesso/Mobilidade   Transporte público convergente para o centro, carros mais fáceis de estacionar. 

     Trânsito caótico e dificuldade extrema de acesso e estacionamento no centro.

     Segurança       Maior sensação de segurança, com vida no entorno.       Alta insegurança, especialmente após o horário comercial.

     A prefeitura de hoje não "matou" o comércio intencionalmente, mas falhou em se adaptar a essas mudanças urbanas, não oferecendo o que os novos centros comerciais oferecem (conforto, segurança, estacionamento e lazer). O Recentro é uma tentativa de corrigir isso, atraindo lazer e serviços que sustentem o comércio.

     3. Urbanização e Uso Social (O Desafio da Habitação Social)

     A questão da habitação social em prédios históricos abandonados é um dos pontos mais sensíveis da revitalização:

     O Conceito: A ideia de urbanizar prédios ociosos com famílias de baixa renda (programas como o Minha Casa, Minha Vida - Entidades) é uma forma de garantir o uso social do imóvel (conforme prevê a Constituição) e, ao mesmo tempo, trazer a vida 24h de volta ao centro.

     A Crítica do Abandono: O seu receio de que esses prédios se transformem em "pocilgas" reflete a preocupação legítima com a manutenção e a sustentabilidade do projeto. O sucesso da habitação social nesses locais depende fundamentalmente de:

      Gestão Condominial: Criar modelos eficientes de gestão do condomínio e das áreas comuns, muitas vezes subsidiadas ou assistidas pelo poder público no início.

     Assistência Técnica Social (ATS): Programas de acompanhamento social, que auxiliam as famílias na organização e manutenção do novo lar e do prédio histórico.

     Qualidade da Obra: Garantir que a reforma seja de alta qualidade para não gerar problemas estruturais e de infraestrutura em prédios antigos.

     Transformar prédios abandonados em moradia social é um desafio, mas é visto por urbanistas como uma das únicas formas de evitar que a especulação imobiliária apenas crie bairros caros e vazios (gentrificação) ou que o centro continue a ser um deserto após o expediente.

     Exemplo de Ação Concluída do Recentro: A Praça do Arsenal

     Para dar um exemplo de que algumas ações do Recentro foram concluídas, embora insuficientes para mudar o panorama geral, podemos citar a Praça do Arsenal:

     Ação: Requalificação completa da Praça do Arsenal, um dos pontos mais importantes do Bairro do Recife Antigo, que faz parte do centro expandido.

     Entrega: A obra foi entregue, com melhorias na iluminação, drenagem, paisagismo (projeto de Burle Marx) e pavimentação.

     Objetivo: Criar um espaço público de qualidade para a realização de grandes eventos (como o Carnaval e o Réveillon) e feiras, atraindo lazer e estimulando o comércio da região.

     Conclusão: A Praça do Arsenal é um ponto de luz, mas a revitalização do coração do centro (Santo Antônio, São José e Bairro Novo) ainda patina. O Recentro tem a visão correta de que é preciso moradia, mas a execução ainda é lenta, justificando a sua percepção de fracasso.

     Gostaria de saber mais detalhes sobre os projetos de habitação social em imóveis do centro que o Recentro planeja executar?

 

 

     Sim. Por enquanto só há projetos e poucas obras realizadas pelo Recentro. Gostaria de ver o Recife com um comércio ativo e não como um comércio morto, as falências fecharam quase todas as lojas do centro do Recife. Como fazer voltar e abrir todas as lojas que estão fechadas?

     É um desejo que ecoa no coração de todos que veem o potencial de Recife. A visão de um centro vibrante, cheio de gente, com as portas do comércio abertas e repletas de produtos e serviços, é o objetivo final de qualquer plano de revitalização.

     Você está correto ao afirmar que o Recentro é forte em projetos, mas fraco em entregas de grande impacto até agora. E, infelizmente, não existe uma solução mágica ou única para reverter a falência comercial em massa de forma instantânea.

     Fazer as lojas voltarem a abrir em um centro que se tornou sinônimo de insegurança, sujeira e dificuldade de acesso exige uma estratégia de choque que atue em três frentes simultaneamente: Incentivo Financeiro,        Segurança/Infraestrutura e Criação de Demanda.

     1. Ações para Reduzir o Risco Comercial (Incentivo Financeiro)

     A principal barreira para um comerciante abrir uma loja hoje no centro é o alto risco de fracasso. É preciso reduzir esse risco financeiro:

     A. Aluguel Social Comercial e Ocupação Temporária

     O Que é: A Prefeitura ou um órgão parceiro (como o Porto Social/Recentro) poderia intermediar a negociação com os proprietários dos imóveis abandonados e fechados para oferecer aluguéis subsidiados ou a preços simbólicos por um período inicial (ex: 2 a 3 anos).

     Objetivo: Atrair pequenos empreendedores e startups de varejo que precisam de um custo fixo baixo para testar o mercado. Isso garantiria que as portas estivessem abertas, mesmo que o movimento fosse baixo inicialmente.

     B. Linhas de Crédito e Desburocratização

     Recife/PE Investe: Criar ou potencializar linhas de crédito com juros subsidiados (ou zero) para o pequeno e médio empreendedor que se comprometer a abrir ou reformar uma loja em áreas específicas do centro.

     Licenciamento Rápido: Implementar um guichê único e ultrarrápido de licenciamento para o comércio do centro, acabando com a burocracia que desanima o pequeno investidor antes mesmo de ele começar.

     C. IPTU de Ocupação (Complemento ao Recentro)

     Reforçar o mecanismo de incentivo do Recentro, oferecendo isenção total de IPTU e taxa de lixo por 5 anos para novos negócios ou para aqueles que reabrirem em prédios fechados por mais de 2 anos.

     2. Ações de Choque na Infraestrutura e Segurança

     O incentivo financeiro só funciona se a infraestrutura básica for resolvida. O comerciante não volta se o cliente não se sentir seguro:

     A. Segurança Absoluta (Choque de Ordem)

     Policiamento 24h Fixo: Aumentar drasticamente e de forma visível o policiamento (Municipal e Estadual) no Centro, em um modelo de patrulhamento fixo em cada quarteirão, especialmente nas áreas mais esvaziadas após as 18h.

     Iluminação LED Total: Concluir rapidamente a troca de toda a iluminação pública para LED (o Recentro prometeu isso), o que tem um impacto imediato na sensação de segurança noturna.

     B. Manutenção e Limpeza Contínua

Instituir um Serviço de Manutenção Expresso para o centro, garantindo que buracos nas ruas, lixo acumulado, calçadas quebradas e fachadas pichadas sejam corrigidos em, no máximo, 48 horas. A sujeira é um desestímulo visual direto ao consumo.

     3. Ações para Criar Demanda e Fluxo de Pessoas

     O centro precisa voltar a ser um destino, não apenas um local de passagem:

     A. Atrair a Vida 24h (O Eixo Moradia)

     Você discorda, mas a moradia é fundamental para o comércio, pois ela é a demanda constante que sustenta os serviços básicos.

     Se o Recentro focar em entregar 500 a 1000 unidades habitacionais no centro nos próximos 3 anos (transformando prédios ociosos), esse novo volume de moradores traria demanda imediata para padarias, mercados de bairro, farmácias, pequenos restaurantes, etc., que, por sua vez, reabririam lojas fechadas.

     B. Eventos e Lazer Fixos

     Usar os belos espaços públicos (Pátio de São Pedro, Praça da República, Cais da Alfândega) para promover eventos semanais e fixos de alto apelo, como feiras gastronômicas, shows gratuitos, festivais de cultura, ou até mesmo um Mercado de Pulgas temático aos domingos. Isso atrai o público dos subúrbios e da Região Metropolitana que, ao vir para o lazer, acaba consumindo no comércio local.

     Para resumir: O Recentro já estabeleceu a estrutura (o "papel"), mas o que falta é a velocidade da execução e a coragem política para usar as ferramentas mais drásticas, como forçar a desapapropriação de grandes imóveis abandonados (como o JK), e um investimento de choque em segurança e limpeza para que os comerciantes se sintam seguros para reabrir as portas, mesmo com um lucro menor no início.

     Você gostaria de explorar com mais detalhes como o projeto de moradia social no centro de Recife está sendo estruturado para ver se ele realmente pode ser uma âncora para o novo comércio?

 

 

Gemini vs Ernani

 

 

A IA E OS PROBLEMAS DO RECIFE

 

     Recife já foi considerada a Veneza Brasileira, já teve os seus dias de glórias, já foi uma capital do Brasil com um comércio muito intenso, hoje estamos vendo um fantasma, sem comércio e sem vidas, uma cidade abandonada é muito triste ver Recife dessa maneira. Os prédios sujos e outros caindo aos pedaços, uma arquitetura linda do tempo do império e quando pintadas ficam ainda mais maravilhosas, um rio que antigamente tinha vidas, hoje, é um rio morto por causa da poluição fecal e industrial, rio esse que poderiam aproveitar para um serviço de turismo se houvesse uma dragagem e uma despoluição. Quem é responsável por essa imagem triste do Recife?

     É um sentimento de tristeza e frustração compreensível para quem ama e conhece o potencial histórico e cultural de Recife, a antiga "Veneza Brasileira". A situação de degradação, o comércio esvaziado, o abandono de prédios históricos e a poluição dos rios são problemas complexos, multifacetados e de responsabilidade compartilhada.

     Não há um único culpado, mas sim uma combinação de fatores e a atuação (ou omissão) de diversos agentes ao longo do tempo.

     A Crise do Patrimônio e do Comércio

     O abandono do centro histórico e a crise comercial resultam de uma série de negligências e mudanças urbanas:

     Proprietários Privados: Uma parcela significativa dos imóveis históricos está em mãos privadas. O alto custo de manutenção, a burocracia para reformas em prédios tombados e, em muitos casos, a inadimplência no IPTU (dívidas milionárias) expõem o desinteresse de alguns donos em preservar ou dar uso social aos bens (conforme apontam as pesquisas). A lei do IPTU progressivo (que visa penalizar o abandono) muitas vezes não é aplicada com a devida eficácia.

     Poder Público Municipal (Prefeitura):

     Fiscalização e Cobrança: Há uma responsabilidade na falta de fiscalização rigorosa sobre o estado dos imóveis e na não cobrança efetiva dos impostos devidos (IPTU), permitindo o abandono e a deterioração ao longo de décadas.

     Incentivos: Embora projetos de revitalização e incentivos fiscais (como o Recentro) existam, a crítica é que eles nem sempre são suficientes, bem divulgados, ou conseguem reverter o quadro de insegurança e de desvalorização imobiliária.

     Planejamento Urbano: A falta de uma política urbana contínua e integrada que estimule a moradia no centro (além do comércio e serviços) contribui para a perda de vida após o horário comercial.

     Poder Público Federal e Estadual (IPHAN e Fundarpe):   Têm a responsabilidade de proteger e fiscalizar o patrimônio tombado, mas muitas vezes atuam com recursos limitados ou de forma burocrática, dificultando a intervenção rápida.

     A Tragédia dos Rios e do Saneamento

     A situação de poluição fecal e industrial dos rios (Capibaribe e seus afluentes) é um problema ambiental e de saúde pública gravíssimo:

    Poder Público (Estadual e Municipal): A responsabilidade primária pelo saneamento básico (tratamento de esgoto) é do Estado (através da Compesa, no caso de Pernambuco) e do Município. A pesquisa indica que apenas cerca de 42,6% do volume total de águas residuais no Recife é adequadamente direcionado para tratamento. Essa deficiência resulta no descarte de esgoto in natura nos rios.

     Indústrias e Empresas: A poluição industrial também exige fiscalização rigorosa para garantir que os efluentes sejam tratados antes de serem despejados.

     População: O descarte inadequado de lixo e entulho nas margens e nos próprios rios contribui para o assoreamento e agrava a poluição.

     Em suma, a "imagem triste do Recife" é resultado de:

     Omissão histórica na cobrança de IPTU e na aplicação de instrumentos urbanísticos.

     Falta de investimento e gestão eficaz no saneamento básico.

     Burocracia e falta de recursos para a preservação do patrimônio.

     Desinteresse e especulação de muitos proprietários privados.

     Deslocamento da vida urbana e econômica para outras áreas (como Boa Viagem), esvaziando o centro.

     A recuperação da cidade exige um pacto de responsabilidade entre as esferas de governo, o setor privado e a sociedade civil, com foco na preservação, no saneamento e na atração de moradores para devolver a vitalidade ao centro.

     Gostaria que eu pesquisasse sobre os principais projetos de revitalização que estão em curso no centro de Recife, como o Recentro, para ver quais ações estão sendo tomadas para reverter esse quadro?

 

 

Sim. O que é o Recentro? Não vejo nenhum empreendimento ou ação do governo para revitalizar o centro comercial e urbanístico do Recife. O Recife está entregue as baratas. É uma cidade fantasma. Um edifício como o JK está fechado por falta de manutenção e abandonado no centro comercial do Recife, para construir tiveram dinheiro mas para manter o edifício funcionando não tem verbas e fica um patrimônio público a mercê do tempo e cada dia vai ficar pior. Tem muitos outros no centro comercial que estão na mesma situação do JK e ninguém está tomando a iniciativa de melhorar o Recife.

 

     Eu entendo perfeitamente a sua dor e frustração. É angustiante ver a riqueza histórica de Recife se transformar em um cenário de abandono, sujeira e insegurança. Sua observação de que a cidade está "entregue às baratas" reflete o sentimento de muitos recifenses diante da decadência do centro.

     O caso do Edifício JK é emblemático: um prédio de grande valor imobiliário e histórico acumulando dívidas milionárias de IPTU (mais de R$ 4,5 milhões, segundo um estudo de 2018) enquanto está ocioso. Ele representa o dilema entre a falta de iniciativa do proprietário privado e a ineficácia do poder público em forçar o uso social do imóvel (o que deveria ser feito com o IPTU progressivo).

     Apesar do cenário desolador, é importante saber que existem iniciativas e projetos em curso, embora a lentidão em surtir efeito crie essa sensação de que "nada está sendo feito".

     O Que É o Programa Recentro?

     O Recentro é o programa de revitalização do Centro do Recife lançado pela Prefeitura em novembro de 2021. Ele é a principal aposta atual da gestão municipal para reverter o quadro de abandono.

     Ao contrário de ações pontuais, o Recentro se propõe a ser uma política de transformação urbana sustentável e inclusiva de longo prazo. Foi criado um órgão específico, o Gabinete do Centro do Recife (GABCENTRO), para coordenar as ações de forma integrada.      Eixos Estratégicos do Recentro:

     O programa se baseia em seis pilares principais:

     Cuidado e Manutenção: Focado em intervenções físicas estruturantes (limpeza, iluminação LED, recuperação de praças e vias).

     Desenvolvimento Econômico: Visa atrair novos negócios e investidores para a área.

     Promoção da Habitação: Reconhece que a vida no centro só volta se houver moradores. É um pilar crucial.

     Valorização do Patrimônio Histórico e Cultural: Focado na preservação e recuperação dos prédios.

     Cultura e Bem-Estar: Uso do espaço público para eventos e atividades culturais.

     Inclusão Socioprodutiva: Busca incluir a população em situação de vulnerabilidade e rua na dinâmica da revitalização.

     Ações Concretas (Foco nos Incentivos):

     A grande ferramenta do Recentro são os incentivos fiscais (Lei Recentro n.º 18.869/2021) para quem investir ou morar no centro. Eles incluem:

     Redução de Impostos: Descontos e isenções de IPTU, ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) e ISS (Imposto sobre Serviços) para obras de requalificação, construção de novas unidades habitacionais e instalação de negócios.

     Facilitação de Licenças: Processos mais simplificados e menos burocráticos para aprovação de projetos na área central.

     PPP Morar no Centro: Um dos projetos mais aguardados, que visa, através de Parceria Público-Privada, gerar mais de 1.100 novas unidades habitacionais para diversas faixas de renda, utilizando e reabilitando prédios vazios.

     Requalificações Entregues: A Prefeitura tem divulgado a entrega de obras como a reforma da Praça do Arsenal (projetada por Burle Marx), além de projetos para a Avenida Dantas Barreto, Iluminação em LED para todo o centro, e recuperação do Mercado de São José e Pátio de São Pedro.

     Por Que Não Vemos Resultados Imediatos?

     Apesar dos projetos e da existência do Recentro (que já tem cerca de 3 anos), a transformação urbana em áreas centrais históricas é lenta e enfrenta grandes barreiras:

     O Tempo dos Projetos Estruturantes: Reformas de prédios históricos e obras de infraestrutura (como embutimento de fiação e saneamento) são caras, complexas e levam anos.

     O Desafio da Moradia: A revitalização só se consolida quando há pessoas morando, garantindo vida 24h. O Recentro tem projetos de habitação, mas a concretização dessas unidades (seja por aluguel social ou venda incentivada) é o gargalo que, quando resolvido, trará mais segurança e comércio de apoio.

     O Poder dos Proprietários: Muitos dos "esqueletos" e edifícios abandonados, como o JK, têm problemas de dívida ativa ou disputas judiciais/hereditárias, tornando a intervenção (como a aplicação do IPTU progressivo ou a desapropriação) um processo lento e de alto risco jurídico.

     Percepção de Segurança: Enquanto a sensação de insegurança e abandono persistir, o comércio e os investidores hesitarão em retornar, criando um ciclo vicioso de esvaziamento.

     A comunidade e os urbanistas concordam que o Recentro é um passo positivo e uma instância de governança necessária, mas pedem mais celeridade na concretização dos projetos, especialmente no eixo de habitação, para que o centro deixe de ser apenas um lugar de passagem e volte a ser um lugar para viver.

     Gostaria que eu pesquisasse especificamente sobre o status atual do Edifício JK ou de outro prédio abandonado de grande repercussão para vermos se há alguma novidade em relação à sua desapropriação ou uso?

 

 

     Sim. Não tem nada haver com moradores, para que a vida volte ao Recife, para que haja vidas é preciso que haja um comércio intenso, infelizmente o comércio está morto. Se o problema é os IPTUs porque a prefeitura não perdoa todos os IPTUs anteriores e baixa os valores para que o comérciante volte ao seu centro. Começaram a pintar os prédios mas logo abandonaram e continuam os prédios abandonados e sujos. O histórico do Recentro é muito bonito no papel mas nas ações é um fracasso e o Recife está cada dia mais abandonado e em ruínas. É triste ver um arquipélago unidos por pontes belíssimas totalmente entregue ao tempo, antigamente as autoridades eram mais ativas e nunca deixou o Recife nessas condições de cidade fantasma.

     Você levanta pontos muito válidos e que refletem o ceticismo justificado de quem acompanha a situação do Recife de perto. É frustrante ver a lentidão em campo, mesmo com planos ambiciosos no papel.

     A Relação Entre Comércio e Moradia

     Sobre a sua afirmação de que "não tem nada a ver com moradores" e que a volta da vida depende apenas do comércio, é crucial entender a dinâmica urbana moderna:

     O Comércio Acompanha a Vida: Em centros históricos, o comércio intenso (exceto grandes malls) é geralmente um resultado e não apenas a causa da vida urbana. Se o centro é apenas um polo de trabalho que se esvazia às 18h, o comércio de apoio (cafés, mercearias, serviços noturnos, restaurantes, lazer) não se sustenta.

     Segurança e Vitalidade 24h: Quem mora no centro gera "olhos na rua" (o conceito de Jane Jacobs), garantindo segurança passiva. A moradia mantém a vida e a demanda por serviços básica (padarias, farmácias, etc.) ativa por 24 horas, o que incentiva o pequeno e médio comércio a se estabelecer e resistir.

     Revitalizações bem-sucedidas em outras cidades (como o Bairro de Santa Tereza no Rio, ou o Puerto Madero em Buenos Aires) sempre passaram por um forte eixo habitacional para sustentar o comércio e o lazer. Sem morador, a vida noturna e o comércio de final de semana morrem.

     A Questão dos Impostos (IPTU)

     Sua proposta de perdoar o IPTU e baixar os valores é uma medida de política fiscal que, à primeira vista, parece ideal para incentivar o retorno, mas enfrenta barreiras e contradições:

     Perdão de Dívidas (Anistia Fiscal): O perdão total de dívidas milionárias (como o caso do JK) é politicamente difícil e legalmente questionável para o poder público. É visto como premiação ao abandono e à especulação, pois o proprietário (que deixou o prédio em ruínas por anos) seria recompensado, enquanto o cidadão que pagou seus impostos em dia não receberia nada.

     Incentivo à Especulação: Perdoar dívidas poderia incentivar outros proprietários a abandonarem seus imóveis, esperando uma futura anistia.

     A Ferramenta Legal Existe: O programa Recentro já oferece isenções e descontos temporários (de até 100%) para quem reabilitar e ocupar os imóveis. O foco é: perdoar o imposto em troca de investimento na reabilitação.

     O problema não é a falta de incentivo, mas a inércia dos proprietários que preferem manter o imóvel ocioso esperando uma supervalorização futura ou que estão presos em burocracias judiciais e de herança. É aí que a prefeitura deveria aplicar o IPTU Progressivo no Tempo com rigor: aumentar a alíquota anualmente até forçar a venda ou desapropriação.

     O Fracasso de Ações do Recentro em Campo

     Você está correto ao dizer que as ações em campo são lentas e insuficientes.

     As ações de pintura e limpeza são cosméticas e não se sustentam sem os eixos estruturais (Habitação,     Saneamento e Segurança). A crítica ao Recentro é que ele ainda não conseguiu:

     Vencer a Burocracia: O processo de licitação, aprovação de projetos de reabilitação e execução das obras (tanto públicas quanto privadas incentivadas) é lento.

     Superar a Insegurança: A falta de policiamento efetivo e o aumento da população de rua (uma questão social que exige políticas intersetoriais, não só urbanísticas) afastam tanto os comerciantes quanto os clientes.

     Forçar a Mão dos Inertes: O poder público ainda não usou as ferramentas mais drásticas, como a desapropriação por abandono ou a aplicação severa do IPTU Progressivo, contra os grandes devedores, mantendo o status quo de "cidade fantasma".

     Status Atual do Edifício JK

     Como você citou o Edifício JK como um símbolo desse abandono, pesquisei sobre o seu status atual.

     Status Legal: O Edifício JK (ou Edifício José Koury) foi alvo de uma ação de cobrança judicial movida pela Prefeitura devido às suas dívidas gigantescas de IPTU.

     Situação: Em 2023, o imóvel estava em fase de leilão judicial para que o valor arrecadado pudesse cobrir as dívidas com o município.

     Desenvolvimento: A Prefeitura, através do GABCENTRO, demonstrou interesse em que o prédio fosse arrematado e reabilitado por um investidor que o destinasse a usos previstos pelo Recentro (como moradia ou um grande mix de serviços). No entanto, até as últimas notícias públicas, o leilão não havia se concretizado ou sido bem-sucedido, e a situação do prédio continua em disputa e abandono.

     O desafio do JK ilustra perfeitamente o problema: mesmo com uma dívida ativa e interesse na reabilitação, o mecanismo judicial para forçar a mudança de posse e o uso do imóvel é lento, ineficaz e arrastado por anos, enquanto o patrimônio se deteriora.

     Gostaria que eu pesquisasse se há algum outro projeto emblemático do Recentro que já tenha sido inaugurado ou que esteja em fase final de obra para dar um exemplo de ação concluída (como a requalificação de alguma praça ou mercado)?

 

 

     Sim. Também a prefeitura vive a explorar os proprietários das casas e edifícios com altas taxas de IPTUs que deixam todos na inadimplência. Antigamente a prefeitura existia mas nunca deixou os proprietários na inadimplência como vem acontecendo nos últimos anos. Parece que a prefeitura quer tomar os imóveis dos proprietários que não podem pagar esse famigerado imposto predial tão caro e absurdo. A prefeitura de antigamente nunca deixou o comércio ficar extinto e sem movimento comercial. A prefeitura não só acabou com o comércio como matou a vida no Recife. O movimento no comércio no Recife não era através dos moradores locais mas sim, dos moradores dos subúrbios que se deslocavam para fazer as compras no centro da cidade. Houve quem quisesse urbanizar os prédios e edifícios com favelados, para transformar os prédios e edifícios num futuro próximo em pocilgas, as pessos de posse já tem dificuldades de manter um apartamento limpo quanto mais pessoas de baixas rendas.

     Compreendo que você sinta que as altas taxas de IPTU são uma das razões centrais para a inadimplência e o abandono, e que a história de Recife mostrava uma dinâmica comercial diferente no passado.

     Vamos analisar esses pontos de vista, confrontando a memória histórica com as realidades e desafios urbanos atuais:

     1. IPTU Alto, Inadimplência e Desapropriação

     É um fato que o IPTU em Recife gera grandes debates, e o sentimento de que o imposto é usado como um "instrumento para tomar imóveis" é comum entre proprietários.

     A Função do IPTU: Legalmente, o IPTU é a principal fonte de receita municipal para financiar serviços públicos (limpeza, iluminação, segurança, saúde, etc.). O valor é calculado com base no valor venal do imóvel. A inadimplência crônica de grandes imóveis no centro é um problema de justiça fiscal.

     O IPTU Progressivo: A ideia de usar o IPTU para forçar a desapropriação (IPTU Progressivo no Tempo) é uma ferramenta constitucional, prevista no Estatuto da Cidade. Ela visa coibir a especulação imobiliária e o abandono, obrigando o proprietário a dar uma função social à sua propriedade.

     Realidade: Na maioria dos casos de abandono no centro, o problema não é o valor atual do IPTU, mas sim a acumulação de dívidas antigas e impagáveis, que tornam o imóvel inviável para o proprietário atual.

     A "Prefeitura de Antigamente": As gestões passadas operavam em um contexto econômico diferente, sem a concorrência de grandes shopping centers nos bairros e sem a grande explosão demográfica e as consequentes crises de saneamento e mobilidade que o Recife enfrenta hoje. O centro era, de fato, o único e principal polo comercial.

     2. O Esvaziamento do Comércio e a Mudança da Dinâmica Urbana

     Você está certo em lembrar que o comércio de Recife era movido pelas pessoas que vinham dos subúrbios e cidades vizinhas. Essa dinâmica mudou dramaticamente:

     Fator Antes (Anos 70/80)   Agora (Século XXI)

Locais de Compra       Centro do Recife era o único grande polo.        Dezenas de shopping centers e centros comerciais espalhados pela Região Metropolitana.

Acesso/Mobilidade   Transporte público convergente para o centro, carros mais fáceis de estacionar. 

     Trânsito caótico e dificuldade extrema de acesso e estacionamento no centro.

     Segurança       Maior sensação de segurança, com vida no entorno.       Alta insegurança, especialmente após o horário comercial.

     A prefeitura de hoje não "matou" o comércio intencionalmente, mas falhou em se adaptar a essas mudanças urbanas, não oferecendo o que os novos centros comerciais oferecem (conforto, segurança, estacionamento e lazer). O Recentro é uma tentativa de corrigir isso, atraindo lazer e serviços que sustentem o comércio.

     3. Urbanização e Uso Social (O Desafio da Habitação Social)

     A questão da habitação social em prédios históricos abandonados é um dos pontos mais sensíveis da revitalização:

     O Conceito: A ideia de urbanizar prédios ociosos com famílias de baixa renda (programas como o Minha Casa, Minha Vida - Entidades) é uma forma de garantir o uso social do imóvel (conforme prevê a Constituição) e, ao mesmo tempo, trazer a vida 24h de volta ao centro.

     A Crítica do Abandono: O seu receio de que esses prédios se transformem em "pocilgas" reflete a preocupação legítima com a manutenção e a sustentabilidade do projeto. O sucesso da habitação social nesses locais depende fundamentalmente de:

      Gestão Condominial: Criar modelos eficientes de gestão do condomínio e das áreas comuns, muitas vezes subsidiadas ou assistidas pelo poder público no início.

     Assistência Técnica Social (ATS): Programas de acompanhamento social, que auxiliam as famílias na organização e manutenção do novo lar e do prédio histórico.

     Qualidade da Obra: Garantir que a reforma seja de alta qualidade para não gerar problemas estruturais e de infraestrutura em prédios antigos.

     Transformar prédios abandonados em moradia social é um desafio, mas é visto por urbanistas como uma das únicas formas de evitar que a especulação imobiliária apenas crie bairros caros e vazios (gentrificação) ou que o centro continue a ser um deserto após o expediente.

     Exemplo de Ação Concluída do Recentro: A Praça do Arsenal

     Para dar um exemplo de que algumas ações do Recentro foram concluídas, embora insuficientes para mudar o panorama geral, podemos citar a Praça do Arsenal:

     Ação: Requalificação completa da Praça do Arsenal, um dos pontos mais importantes do Bairro do Recife Antigo, que faz parte do centro expandido.

     Entrega: A obra foi entregue, com melhorias na iluminação, drenagem, paisagismo (projeto de Burle Marx) e pavimentação.

     Objetivo: Criar um espaço público de qualidade para a realização de grandes eventos (como o Carnaval e o Réveillon) e feiras, atraindo lazer e estimulando o comércio da região.

     Conclusão: A Praça do Arsenal é um ponto de luz, mas a revitalização do coração do centro (Santo Antônio, São José e Bairro Novo) ainda patina. O Recentro tem a visão correta de que é preciso moradia, mas a execução ainda é lenta, justificando a sua percepção de fracasso.

     Gostaria de saber mais detalhes sobre os projetos de habitação social em imóveis do centro que o Recentro planeja executar?

 

 

     Sim. Por enquanto só há projetos e poucas obras realizadas pelo Recentro. Gostaria de ver o Recife com um comércio ativo e não como um comércio morto, as falências fecharam quase todas as lojas do centro do Recife. Como fazer voltar e abrir todas as lojas que estão fechadas?

     É um desejo que ecoa no coração de todos que veem o potencial de Recife. A visão de um centro vibrante, cheio de gente, com as portas do comércio abertas e repletas de produtos e serviços, é o objetivo final de qualquer plano de revitalização.

     Você está correto ao afirmar que o Recentro é forte em projetos, mas fraco em entregas de grande impacto até agora. E, infelizmente, não existe uma solução mágica ou única para reverter a falência comercial em massa de forma instantânea.

     Fazer as lojas voltarem a abrir em um centro que se tornou sinônimo de insegurança, sujeira e dificuldade de acesso exige uma estratégia de choque que atue em três frentes simultaneamente: Incentivo Financeiro,        Segurança/Infraestrutura e Criação de Demanda.

     1. Ações para Reduzir o Risco Comercial (Incentivo Financeiro)

     A principal barreira para um comerciante abrir uma loja hoje no centro é o alto risco de fracasso. É preciso reduzir esse risco financeiro:

     A. Aluguel Social Comercial e Ocupação Temporária

     O Que é: A Prefeitura ou um órgão parceiro (como o Porto Social/Recentro) poderia intermediar a negociação com os proprietários dos imóveis abandonados e fechados para oferecer aluguéis subsidiados ou a preços simbólicos por um período inicial (ex: 2 a 3 anos).

     Objetivo: Atrair pequenos empreendedores e startups de varejo que precisam de um custo fixo baixo para testar o mercado. Isso garantiria que as portas estivessem abertas, mesmo que o movimento fosse baixo inicialmente.

     B. Linhas de Crédito e Desburocratização

     Recife/PE Investe: Criar ou potencializar linhas de crédito com juros subsidiados (ou zero) para o pequeno e médio empreendedor que se comprometer a abrir ou reformar uma loja em áreas específicas do centro.

     Licenciamento Rápido: Implementar um guichê único e ultrarrápido de licenciamento para o comércio do centro, acabando com a burocracia que desanima o pequeno investidor antes mesmo de ele começar.

     C. IPTU de Ocupação (Complemento ao Recentro)

     Reforçar o mecanismo de incentivo do Recentro, oferecendo isenção total de IPTU e taxa de lixo por 5 anos para novos negócios ou para aqueles que reabrirem em prédios fechados por mais de 2 anos.

     2. Ações de Choque na Infraestrutura e Segurança

     O incentivo financeiro só funciona se a infraestrutura básica for resolvida. O comerciante não volta se o cliente não se sentir seguro:

     A. Segurança Absoluta (Choque de Ordem)

     Policiamento 24h Fixo: Aumentar drasticamente e de forma visível o policiamento (Municipal e Estadual) no Centro, em um modelo de patrulhamento fixo em cada quarteirão, especialmente nas áreas mais esvaziadas após as 18h.

     Iluminação LED Total: Concluir rapidamente a troca de toda a iluminação pública para LED (o Recentro prometeu isso), o que tem um impacto imediato na sensação de segurança noturna.

     B. Manutenção e Limpeza Contínua

Instituir um Serviço de Manutenção Expresso para o centro, garantindo que buracos nas ruas, lixo acumulado, calçadas quebradas e fachadas pichadas sejam corrigidos em, no máximo, 48 horas. A sujeira é um desestímulo visual direto ao consumo.

     3. Ações para Criar Demanda e Fluxo de Pessoas

     O centro precisa voltar a ser um destino, não apenas um local de passagem:

     A. Atrair a Vida 24h (O Eixo Moradia)

     Você discorda, mas a moradia é fundamental para o comércio, pois ela é a demanda constante que sustenta os serviços básicos.

     Se o Recentro focar em entregar 500 a 1000 unidades habitacionais no centro nos próximos 3 anos (transformando prédios ociosos), esse novo volume de moradores traria demanda imediata para padarias, mercados de bairro, farmácias, pequenos restaurantes, etc., que, por sua vez, reabririam lojas fechadas.

     B. Eventos e Lazer Fixos

     Usar os belos espaços públicos (Pátio de São Pedro, Praça da República, Cais da Alfândega) para promover eventos semanais e fixos de alto apelo, como feiras gastronômicas, shows gratuitos, festivais de cultura, ou até mesmo um Mercado de Pulgas temático aos domingos. Isso atrai o público dos subúrbios e da Região Metropolitana que, ao vir para o lazer, acaba consumindo no comércio local.

     Para resumir: O Recentro já estabeleceu a estrutura (o "papel"), mas o que falta é a velocidade da execução e a coragem política para usar as ferramentas mais drásticas, como forçar a desapapropriação de grandes imóveis abandonados (como o JK), e um investimento de choque em segurança e limpeza para que os comerciantes se sintam seguros para reabrir as portas, mesmo com um

lucro menor no início.

    

Gemini vs Ernani

 

Pensamento: O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente… E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver.

 

Mário Quintana

 

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